sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Você foi embora aos poucos e quando viu que não tinha mais como estender sua permanência num relacionamento que você dizia ser inoportuno, saiu sem olhar para trás, bateu a porta com força e desapareceu da minha vida. Foi como um tsunami que chega sem avisar e destrói tudo num piscar de olhos. Foi isso que sua ausência prolongada causou no meu viver. Você devastou todo e qualquer resquício de carinho e afeição. Me deixou ali sozinha sem nem mesmo se importar com o estrago que deixou.
Eu recolhi os destroços e, entre lágrimas, reconstruí tudo lentamente. Me readaptei ao novo ambiente, descartei retalhos seus que ainda habitavam minha vida e fui lutando para me sentir alguém de novo. Você? Não sei. Sumiu subitamente e não deixou rastro ou espaço para que eu pudesse segui-lo. Dissipou-se no ar como brisa e só deixou o mormaço que, oculto, queima mais que o sol. Ardeu, mas eu sobrevivi.  
Como eu estou? Essa era uma pergunta que você devia ter feito quando ainda vivíamos juntos. Quando nosso relacionamento foi escorrendo ralo abaixo e nossa conexão se perdeu. Essa era a preocupação que você devia ter tido quando saiu de casa e rasgou minha vida em dois. Esse era o questionamento que devia ter feito quando esqueceu nossos sonhos e planos e nem olhou para trás.
Não adianta vir agora perguntar como eu estou. Não fará mais diferença dizer que eu estive muito mal, que eu chorei por semanas sem fim, não vai mudar nada lhe contar que estive doente de amor, que desacreditei de mim mesma e me senti sozinha no mundo. 
Como eu estou? Agora? Não sei...
Você pode voltar no tempo e mudar tudo?



- Juliana Chequinato
Que seja para fazer o bem e receber também.

Que seja energia pura, química, física, história, biologia, português. Sim. português. Que em cada palavra do outro, leia-se amor nas entrelinhas e que o poema mais bonito já lido seja o sorriso na hora do reencontro.